O Índice Global de Adoção de Criptomoedas do ano de 2022, apresentado pelo Chainalysis – empresa americana de análise de blockchain -, em meados de setembro, mostrou que os mercados emergentes estão liderando cada vez mais a adoção de criptomoedas e a China permanece ativa, recuperando a 10ª posição do ranking, mesmo com toda a proibição existente no país.

O objetivo do relatório é medir onde as pessoas estão investindo a maior parte do dinheiro em criptomoedas, além de destacar os países onde os investidores individuais, e não profissionais, estão adotando mais os ativos digitais. O Índice Global de Adoção de Criptomoedas é composto por cinco subíndices, cada um deles baseado no uso de diferentes tipos de serviços de criptomoeda pelos países.

Foram classificados todos os 146 países sobre os quais existem dados suficientes para cada uma das cinco métricas, tirando a média geométrica da classificação de cada país em todas as cinco e, em seguida, normalizando esse número final em uma escala de 0 a 1 para dar a cada país uma pontuação que determina a classificação geral. Quanto mais próxima a pontuação final do país estiver de 1, maior será a classificação no ranking mundial.

DeFi e Ethereum superam Bitcoin

Conforme o relatório do Chainalysis, as finanças descentralizadas (DeFi) têm sido uma das áreas que mais cresceu nos últimos dois anos. Os protocolos de criptomoedas descentralizados, que usam principalmente Ethereum (ETH) em oposição ao Bitcoin (BTC), agora ultrapassaram os serviços centralizados no volume de transações na cadeia. Além disso, o relatório concluiu que a adoção geral diminuiu em todos os países durante o mercado de baixa, mas continua acima dos níveis de mercado pré-alta.

Depois de crescer de forma consistente desde o ano de 2019, a adoção global se estabilizou e atingiu o recorde histórico no segundo trimestre de 2021. Após, sofreu alguns declínios nos preços das criptomoedas e se recuperou no quarto trimestre. Os dados obtidos no relatório do Chainalysis sugerem que muitos daqueles que foram atraídos pelo aumento dos preços em 2020 e 2021 continuam investindo em ativos digitais, mostrando a resiliência do mercado de criptomoedas.

Para elaboração do relatório, a equipe do Chainalysis usou uma série de métricas para contabilizar diferentes tipos de adoção cripto. Alguns países usam muito as exchanges centralizadas, enquanto outros estão mais focados no comércio peer-to-peer. Além disso, alguns países têm uma movimentação de Bitcoin (BTC) muito alta, enquanto que as finanças descentralizadas (DeFi) são mais populares em outros.

O investimento em criptoativos pode não ser adequado para investidores novatos, que podem perder o total do valor investido.

Mercados emergentes estão dominando o índice global de adoção de criptomoedas

Uma tendência observada pelo Chainalysis foi que os mercados emergentes estão dominando o índice. O Banco Mundial classifica os países em uma das quatro categorias com base nos níveis de renda e no desenvolvimento econômico geral: renda alta, renda média alta, renda média baixa e renda baixa, e chegou à conclusão de que as duas categorias do meio são as que dominam o topo do índice, tendo em vista que, dos 20 principais países classificados:

  • Dez são de renda média baixa: Vietnã, Filipinas, Ucrânia, Índia, Paquistão, Nigéria, Marrocos, Nepal, Quênia e Indonésia
  • Oito são de renda média alta: Brasil, Tailândia, Rússia, China, Turquia, Argentina, Colômbia e Equador
  • Dois são de alta renda: Estados Unidos e Reino Unido

Os usuários em países de renda média baixa e média alta geralmente utilizam as criptomoedas para enviar remessas, preservar suas economias em tempos de volatilidade da moeda fiduciária e atender a outras necessidades financeiras exclusivas de suas economias. Esses países também tendem a se apoiar em Bitcoin e em stablecoins, muito mais do que os outros países.

O Vietnã ocupa, pelo segundo ano consecutivo, o primeiro lugar no ranking de adoção de criptomoedas, com um poder de compra extremamente alto e adoção ajustada à população em ferramentas de criptomoeda centralizadas, DeFi e P2P.

Jogos P2E são cada vez mais populares no Vietnã, principalmente com o lançamento no Kardiachain, um blockchain completo de Turing vietnamita focado em velocidade e interoperabilidade, que ajudou o crowdfunding – financiamento coletivo – para os vietnamitas. Um exemplo disso é o programa KaiStarter, que permite que as pessoas invistam em programas de TV vietnamitas, em troca de uma porcentagem dos lucros do programa.

Por sua vez, os Estados Unidos subiram para o quinto lugar do ranking de índices, o que não é surpreendente, pois a pesquisa mostra que o uso de trocas P2P tende a ser maior em países com baixo poder aquisitivo.

Talvez o mais interessante seja que os Estados Unidos são, de longe, o país de mercado desenvolvido melhor classificado e um dos únicos a entrar no top 20, ao lado do Reino Unido. Os níveis crescentes de adoção de criptomoedas no mundo são indicativos que os ativos digitais vieram para ficar.

China permanece ativa e recupera a 10ª posição no ranking mundial

Após ficar em 13º lugar no ano de 2021, a China voltou a entrar no top 10 do índice este ano e o país tem se mostrado especialmente forte no uso de serviços centralizados, ficando em segundo lugar geral para o volume de transações ajustado ao poder de compra no geral e níveis de varejo. Isso é especialmente interessante, principalmente tendo em vista a repressão do governo chinês às transações e aos investimentos em criptomoedas, mostrando que a proibição foi ineficaz ou pouco aplicada.

Na tabela abaixo, observamos o ranking global dos 10 maiores mercados de criptomoedas:

País Classificação geral  Nota geral  Classificação do valor do serviço centralizado recebido Classificação do valor recebido do serviço centralizado de varejo P2P classificação do volume de comércio de câmbio Classificação  de DeFi Classificação de DeFi no varejo
Vietnã 1 1.000 5 5 2 7 6
Filipinas 2 0.753 4 4 66 13 5
Ucrânia 3 0.694 6 6 39 10 14
Índia 4 0.663 1 1 82 1 1
Estados Unidos 5 0.653 3 3 111 3 2
Paquistão 6 0.609 10 10 50 22 16
Brasil 7 0.562 7 7 113 8 7
Tailândia 8 0.560 12 12 61 5 3
Rússia 9 0.541 8 8 109 11 12
China 10 0.535 2 2 144 6 4

O Partido da Comunidade Chinês anunciou recentemente que o comércio de Bitcoin (BTC) é legal e que também é legal possuir a cripto, mas não é possível usar o BTC para realizar pagamentos. Ainda assim, este é um sinal considerado muito positivo, principalmente porque mostra que o governo chinês está mudando sua opinião sobre o Bitcoin.

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