Tether e Bitfnex

Apesar do mercado em baixa, alguns empreendimentos ligados a criptomoedas conseguiram, até o momento, permanecer fortes. Dois exemplos, intimamente ligados, são Tether e Bitfinex, a primeira é uma emissora da criptomoeda de mesmo nome, enquanto a segunda é uma corretora.

De acordo com o site The Block, especializado em criptomoedas, representantes das duas empresas, ambas controladas pela empresa-mãe iFinex, afirmaram que elas não só não pretendem demitir funcionários como estão interessadas em contratar.

O site entrou em contato com a Bitfinex para saber sobre seus planos com relação à sua força de trabalho em um cenário em que competidores dela estão realizando demissões. A diretora de operações Claudia Lagorio respondeu que a empresa não tem intenção de realizar demissões, possui posições que deseja preencher e continuará a realizar as contratações que se fizerem necessárias.

O investimento em criptoativos deve ser feito com cautela devido à volatilidade do mercado.

Direções de Tether e Bitfinex afirmam que empresas continuam lucrando

Ainda segundo Lagorio, a Bitfinex é lucrativa, não contrata agressivamente durante épocas de vacas gordas no mundo das criptomoedas nem corta postos de trabalho durante épocas de vacas magras. Pelo contrário, explicou, a empresa prefere ser metódica em seu gerenciamento da aquisição e da manutenção de talentos.

O contraste entre a imagem pintada por Lagorio e os brutais cortes de pessoal em outras empresas cripto é marcante. Estima-se que mais de 1500 pessoas tenham sido demitidas de empresas envolvidas com criptomoedas nos últimos 2 meses.

Entre os produtos e serviços que a Bitfinex, fundada em 2012, oferece a seus clientes, estão a negociação de ativos digitais, financiamento peer-to-peer, a negociação de derivativos e um programa de afiliados.

Quando The Block entrou em contato com a empresa Tether para saber se ela planeja fazer redução de pessoal, um porta-voz da empresa afirmou que a empresa importa-se com seus colaboradores, não os demitiu em outras fases de baixa do mercado e não o fará agora.

O porta-voz da Tether também afirmou que a empresa que representa é lucrativa. Tether, uma empresa sediada em Hong Kong, é, como dito acima, a emissora da moeda Tether. Trata-se de uma stablecoin, ou seja uma criptomoeda lastreada em outro ativo ou em uma cesta de ativos, o que, em tese, garante sua estabilidade.

As duas empresas já foram multadas

As duas empresas não são estranhas à controvérsia. Por exemplo, elas foram punidas tanto pela Comissão para Negociação de Futuros de Commodities dos Estados Unidos, que as multou em mais de 42 milhões de dólares. Além disso, entraram em um acordo de 18,5 milhões de dólares com a Procuradoria-Geral de Nova York.

Em ambos os casos, as autoridades afirmaram que as companhias cometeram atos ilegais. Entre as acusações que pesavam contra a Tether, estava a de ter divulgado informações falsas sobre as reservas que lastreiam sua criptomoeda. Entre as acusações feitas contra a Bitfinex, incluía-se a de ter realizado transações ilegais com commodities.

No campo das contratações, porém, parece que as políticas da Tether e da Bitfinex foram sábias.

Queda do mercado afetou algumas empresas cripto e outras não

As quedas que, nos últimos tempos, vêm sofrendo as cotações de criptomoedas abalaram fortemente algumas das empresas envolvidas com esses ativos. Como exemplos disso, podemos citar o fundo de investimentos Three Arrows Capital (3AC) e as corretoras cripto Gemini e Coinbase.

A 3AC, que investiu pesadamente em criptomoedas, tem sido alvo de suspeitas de insolvência desde que se revelou que ela liquidou, às pressas e com prejuízo, mais de 400 milhões de dólares em ativos.

As corretoras Gemini e Coinbase realizaram recentemente expressivos cortes de pessoal. A Coinbase decidiu demitir 18% de seus colaboradores, e a Gemini demitiu 10% dos seus.

Enquanto isso, outras empresas cripto estão buscando expandir seus quadros de funcionários, como é o caso das corretoras Binance, com mais de 900 vagas expostas em seu site, e Kraken, que anunciou em seu blog pretender preencher mais de 500 vagas até o fim do ano. Há, no site desta última, mais de 200 vagas já anunciadas.

Resta esperar para ver se esse florescimento das oportunidades de trabalho em algumas empresas do setor de criptomoedas é um prenúncio da primavera sucedendo o que vem sendo chamado de “inverno cripto”.

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