presidente de el salvador e bitcoin

A baixa do mercado de criptomoedas têm testado a confiança do presidente de El Salvador e de outros entusiastas desses ativos, tanto no que se refere à sua adequação como investimento, quanto no que se refere ao seu valor como alternativa ao sistema monetário tradicional.

Se alguns se decepcionaram, outros redobraram, pelo menos retoricamente, as apostas. No dia 15 de junho, a corretora cripto Kraken, conhecida por sua cultura corporativa fez uma postagem em seu blog em que, além de anunciar um esforço global de contratações, fez uma apologia ao que considera sua missão:

“levar liberdade financeira e inclusão aos bilhões de pessoas que sofrem com exclusão financeira, hiperinflação e um sistema quebrado que abandona principalmente os mais pobres à própria sorte”.

Também nesta postagem, a empresa afirmou que os funcionários (chamados de Krakenites) e os candidatos a vagas na empresa deveriam considerar receber uma proporção maior de seus contracheques em Bitcoin porque os fundamentos da criptomoeda apenas melhoraram.

O investimento em criptoativos pode não ser adequado para investidores novatos, que podem perder o total do valor investido

Presidente de El Salvador chama atenção por sua postura em relação ao Bitcoin

Outro defensor do Bitcoin que não parece disposto a abjurar da fé no principal criptoativo do mundo é o presidente de El Salvador, Nayib Bukele.

Empresário e ex-prefeito de Nuevo Cuscatlán e da capital San Salvador, Bukele é um político difícil de situar ideologicamente. Eleito em 2019, foi o primeiro candidato presidencial em mais de 30 anos a vencer sem ser filiado a um dos dois principais partidos, Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional, esquerdista, e Aliança Republicana Nacionalista.

Bukele é muito popular e obteve sucessos em seu mandato como uma redução de 2/3 no índice de homicídios no país centro-americano. Contudo, o principal motivo de sua fama além das fronteiras de El Salvador é seu entusiasmo pelo Bitcoin.

Em junho de 2021, Bukele anunciou sua intenção de enviar à Assembleia Legislativa um projeto de lei tornando o Bitcoin moeda de curso legal, ou seja, que deve ser aceita para a quitação de dívidas, públicas ou privadas, e obrigações como, por exemplo, o pagamento de tributos. Segundo ele, isso ajudaria os 70% dos seus compatriotas que não têm conta bancária e estão excluídos do sistema financeiro tradicional.

O projeto tornou-se lei após ser aprovado pelo Poder Legislativo em 9 de junho de 2021. Noventa dias depois, em 7 de setembro, a lei entrou em vigor fazendo de El Salvador o primeiro país no mundo a adotar o bitcoin como moeda de curso legal ao lado do dólar dos Estados Unidos, que substituiu o colón de El Salvador em 2001.

Queda dos valores do Bitcoin levanta dúvidas sobre estratégia do presidente de El Salvador

O Bitcoin, que já atingiu uma cotação de US$68.000, hoje está sendo negociado por menos de um terço deste valor. Isso causa perdas ao Tesouro do país, que, sob Bukele, vem adquirindo a moeda digital. Ele detém 2300 Bitcoins, parte comprada a preços próximos do pico. Além disso, até agora a intenção anunciada pelo governo de lançar títulos remunerados em Bitcoin, não se concretizou.

Já há algum tempo existe ceticismo quanto aos resultados da adoção do bitcoin como moeda oficial em El Salvador. O Banco Mundial, por exemplo, recusou-se a ajudar na implementação, alegando preocupação com a falta de transparência e com o impacto ambiental da mineração de bitcoins.

O economista Steve Hank, um especialista em moedas que é professor universitário e investidor, previa que a adoção do Bitcoin levaria o país ao caos econômico. Posteriormente, ele afirmou que os títulos do país estavam se desvalorizando desde “a trapalhada” do Bitcoin.

Poucos meses após o início do uso do Bitcoin como moeda oficial, o FMI, durante uma consulta nos termos do Artigo IV (quando economistas da entidade visitam um país-membro para analisar sua economia e conversar com membros da equipe econômica e de setores relevantes da sociedade) recomendou o abandono da experiência. Meses depois, já em 2022, retomou o posicionamento, recomendando o fim do status de moeda oficial do Bitcoin.

Nayib Bukele segue confiante em sua decisão

Bom, o presidente Bukele não parece disposto a dar o braço a torcer. Em um tweet que fez em 19 de junho, ele recomendou aos investidores que não se preocupassem porque o investimento em Bitcoin é seguro e ganhará muito valor depois que esse período de baixa passar.

O economista Nassim Taleb comentou que o líder salvadorenho está em estado de negação com relação ao bitcoin.

O tempo dirá quão sábia foi a decisão de dar curso legal ao Bitcoin em El Salvador, mas é digno de nota que quase metade da população do país tenha baixado a carteira de Bitcoin apoiada pelo governo, Chivo.

Talvez, no final, a moeda digital não vá ter estado à altura das mais exuberantes esperanças que despertou, mas pode ter dado uma nova ferramenta para quem tinha acesso nulo ou precário ao sistema financeiro.

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